Esta Tal Felicidade!

George Santayanna, filósofo espanhol bem situado no clássico “História da Filosofia” de Will Durant – vendido nas bancas de revistas por duas décadas no Brasil e hoje livre na internet, disse:

“Que a vida vale a pena ser vivida é a mais segura das conclusões, mas, não sendo tal admitido, a mais louca das teorizações”.

O tema felicidade sempre é apresentado como uma “quimera”, uma “utopia”, um “sonho”, inalcançável para milhões de pessoas. Muitos associam esta assertiva com dinheiro, bens materiais; outros vão a extremos e dizem: não tem nada de material é só o ser e o espiritual.

Prefiro a dialética de Cristo: “não só de pão de vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4) – ou seja, em linguagem maiêutica/noética: o “pão” é o ter e a “palavra” é o ser. Os dois, JUNTOS, estão na base do equilíbrio existencial concreto e verdadeiro.

Mas, há quem confunda felicidade com euforia!

No Dicionário:

  • Euforia – “Sensação fisiológica de bem-estar”.
  • Felicidade – “bom êxito”; “contentamento”; “ventura”; “abençoado”; “muita sorte”.

No campo da psicanálise e especialmente da neurolinguística, tem-se dito que felicidade difere de sucesso na justa medida em que “sucesso é conquistar” algo que se planejou para alcançar; ao passo que a felicidade “seria o contentamento com o que se tem”. Não um contentamento inepto e relaxado, mas do tipo que nos faz alegrarmo-nos com o que já conquistamos.

 

Atrevo-me a afirmar que a felicidade é, pois, fruto de uma sorte que somente quem a merece pode desfrutar.

Mas, “sorte” no dicionário é: “Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável.” – para mim significa: “o preparo encontra a oportunidade” – isto é sorte.

Se uma pessoa se planeja, se põe em execução o plano com o esmero devido, encontrará a “boa sorte” = felicidade.

O merecimento está, portanto, na lealdade com que nos afinamos com o que afirmamos que queremos e nos colocamos em campo para conquistar. A felicidade, “a priori”, sendo fiel ao dicionário, é um resultado que só poderá ser desfrutado por alguém que se dedicou firmemente a conduzir-se na vida dentro de um plano de “causa e efeito” e, naturalmente, constituído de coisas que sejam sinônimas de saúde, vida, bem-estar, alegria, contentamento, bondade, fraternidade e outros componentes dos espíritos iluminados.

Concluo esta breve reflexão, dizendo junto do autor sacro, o que irei afirmar consistentemente como um padrão que tenho percebido em meus anos de estudos no campo da maiêutica, da noética e de minha bandeira filosófica (dogmaticamente assumida), que é fincada na perspectiva do pragmatismo utilitarista:

“Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias de tal modo que alcancemos corações sábios!” (Salmo 90:10).

Prof. Jean Alves Cabral

 

 

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