Educação em Função da Vida!

Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I- construir uma sociedade livre, justa e solidária; II- garantir o desenvolvimento nacional; III- erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV- promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.[1]

1- A Importância de Fundamentos Para a Vida.

A palavra “fundamento” significa “algo que é colocado por baixo para servir de apoio ou base para uma edificação”.

Na Bíblia há uma apresentação que aqui se torna oportuna, onde se valoriza imensamente a necessidade de valores para a nossa vida.

Esta necessidade está vinculada à idéia de que devemos edificar um caráter de alto padrão moral e espiritual que possibilite-nos, ao longo de nossa existência nesta vida, o cumprimento de nossa missão existencial, de modo satisfatório e promissor.

O texto Escriturístico declara:

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a Rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fôra edificada sobre a Rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína.[2]

O princípio de que cada um de nós deve conhecer os princípios da vida e viver por eles, se harmoniza com a base de toda a legítima moralidade cristã, originada no sermão da montanha, que está descrito em Mateus, capítulos 5, 6 e 7.

A casa, que é mencionada por Cristo, não é outra, senão a nossa própria vida, como bem o identificou o apóstolo em outras citações:

Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: ‘habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.[3]

Não sabeis que sois santuários de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.[4]

E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas; Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até o fim, a ousadia e a exaltação da esperança.[5]

A nossa vida é, como dizia[6] o materialista George Santayana, um limite “entre o ventre materno e o túmulo”, o qual devemos “viver com o máximo de intensidade”.

A complementação ao pensamento do filósofo se faz com esta pergunta:

– Ora, por que deveríamos viver este intervalo como pessoas ruins, más, odiosas e sem o amor de Deus? Que proveito pode haver na maldade? Que proveito pode haver na falta de espiritualidade? Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

As boas obras não adquirem o amor de Deus, mas revelam que nosso coração e pensamento anseiam por Ele. Não temos dúvidas de que no Mundo só existem dois tipos de pessoas: as que desejam os valores do Reino Espiritual de Deus; e as que desejam reverenciar o próprio eu.

Todos os discursos justificam uma ou outra posição!

Creio firmemente que é possível atuar em qualquer campo da esfera do trabalho humano, tanto numa perspectiva como na outra. Isto é absolutamente consagrado no nosso discurso – temos que definir quem e o que somos interiormente, ou seja, que caminhos a nossa mente escolhe e que vida queremos de fato!

Mas, a despeito destas duas condições da espécie humana:

O grande objetivo de Deus na execução de Suas providências, é provar os homens e dar-lhes oportunidades para desenvolver o caráter.[7]

Cristo, porém, não nos deu garantia alguma de que é fácil alcançar perfeição de caráter. Não se herda caráter perfeito e nobre. Não o recebemos por acaso. O caráter nobre é ganho por esforço individual mediante os méritos e a graça de Cristo. Deus dá os talentos e as faculdades mentais; nós formamos o caráter. É formado por combates árduos e renhidos com o próprio eu. As tendências herdadas devem ser banidas por um conflito após o outro. Devemos esquadrinhar detidamente e não permitir que permaneça traço algum incorreto.[8]

Nenhum de nós conseguirá ser um ser humano melhor com uma baixa moralidade, porque não podemos ir além do que nossa norma de moralidade estabelece para nós mesmos e, nenhum de nós conseguirá ser maior do que o tipo de divindade que cultuamos em nosso ser interior, porque o que somos é estabelecido em nossa mente como o mais elevado padrão existencial.

Por esta razão, declara a Escritura que:

Dos seus próprios caminhos se fartará o iníquo de coração, como também o homem bom se contentará dos seus.[9]

Guarda com diligência a tua mente, porque dela procedem as fontes da vida.[10]

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.[11]

2- A Importância do Caráter Pessoal Sobre Nossa Proposta Metodológica.

As Universidades atuais não dão importância aos ensinamentos espirituais, como se fossem coisa menor por ser um tema comum para as igrejas tão desacreditadas em certos cenários.

A tônica nas Universidades para o assunto religião é ceticismo, incredulidade e descaso. Evidentemente que se deve excetuar as Universidades Confessionais, todavia, devemos ter como mais que claro que cada Instituição representa interesses muito específicos de demandas.

Não iremos navegar por estes mares – o que queremos enfocar é o fato de que a natureza espiritual tem sido objeto de consideração em muitos estudos contemporâneos e o retorno ao que holístico tem confrontado a concepção humana em relação aos dogmas e sua utilidade real na vida das pessoas.

De nossa parte não temos dúvidas de que é por esta razão (o ateísmo universitário) que há, na maioria das Universidades, e especialmente nos Cursos de Saúde, tantos doentes do físico, da mente e do espírito, mesmo entre os profissionais que pretendem atender as pessoas.

É por esta razão que professores com sangue intoxicado em alto grau não conseguem discernir o que aqui expomos. É por esta razão que muitos se tornaram cegos aos fatos óbvios da própria constituição doesta que carregam!

E o que há em nosso discernimento que é diferente e que consideramos mais elevado do que o padrão atual das Universidades?

Quando uma pessoa escolhe um Curso Superior para fazer, parece-nos óbvio que ela deve possuir um sonho, um ideal ou um objetivo existencial associado à escolha. Igualmente óbvio, parece-nos que, se uma pessoa escolhe uma profissão sem vocação e paixão ardente pelo ofício que desempenhará, tal escolha jamais produzirá felicidade pessoal.

Ora, quem consegue fazer um serviço bem feito sem alegria, sem contentamento, sem transbordante paixão em bem servir ao seu próximo?

Ainda que muitas situações da vida imponham a dura necessidade de ganhar “o pão nosso de cada dia” em funções que não são ideais, e nem reflexo de nossos sonhos, cumpre-nos adequar as coisas em direção do cumprimento da finalidade moral de nossa vida.

Notai bem, não é de denominações religiosas que estamos falando aqui. Falamos de uma formação interior tal, que possamos viver nosso intervalo entre o ventre materno e o túmulo com o máximo de proveito para nós mesmos e para nossos semelhantes.

Esta posição é evidentemente uma posição religiosa (não denominacional), espiritual e de origem interior. A menos que fechemos os olhos para as santas e solenes palavras que declaram:

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. O segundo mandamento, semelhante a este é: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outros mandamentos maiores do que estes.[12]

Ao longo de minha carreira, tanto como Capelão ou Naturologista, tenho ouvido dos muitos alunos e discípulos que tive, a seguinte pergunta: como podemos compreender o que é o amor? Após anos de reflexões, cheguei a uma síntese sobre o amor, que assim descobri pelo estudo da Bíblia:

Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.[13]

Quando muitas pessoas leem este verso, imaginam que estamos falando de morrer no lugar de outras pessoas num campo de batalha, à semelhança do que Cristo fez, morrendo pelos seres humanos. Mas, não é disto que o verso fala, embora este tipo de ato seja deveras elevado.

O que pretendemos esclarecer aqui é que, devemos gastar toda a nossa vida em favor dos nossos semelhantes! É nisto que está o verdadeiro amor, ou seja, na dedicação em servir as pessoas com paciência, bondade, fraternidade, honestidade, respeito e de poder chegar um dia diante da morte e dizer a nós mesmos: minha vida valeu, pelos amigos que fiz, pelas pessoas que servi, pelos sonhos que ajudei a concretizar, para o bem e para a justiça.

Quem não viver por isto e ficar preso às mágoas, ao ódio, ao rancor, à amargura e à falta de amor por si mesmo – foi um infeliz! Todavia, insisto que é possível viver uma condição diferenciada!

Seria a ética e a moralidade atéia e cética das Universidades de nosso tempo capaz de produzir um projeto de vida maior do que o amor a Deus e ao próximo?

Se for, então é um tipo de expressão do amor a Deus, pois, “se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado”.[14]

As disciplinas universitárias e os professores do ensino superior, toda a Metodologia da Pesquisa Científica e Aplicada deveria ter como elemento de destaque a busca para se criar uma consciência crítica do aluno recém saído do 2.º grau, em geral despreparado para enfrentar a vida acadêmica e profissional, na percepção do verdadeiro significado do amor.

Repetirei: partindo do amor de Deus e não do materialismo!

De um modo geral, esta disciplina tem sido reduzida a uma exposição de técnicas e metodologia do trabalho acadêmico, ou ainda tem sido restrita a uma área específica do saber. Estas posturas são errôneas, porque não possibilitam uma reflexão necessária para lançar o acadêmico na vida, no seu sentido mais amplo. Em síntese, ninguém dá a mínima para um trabalho conclusivo de curso, não se vê filas nas portas das bibliotecas na seção de monografias, dissertações e teses – porém, as igrejas estão lotadas de pessoas vazias e em busca de uma resposta aos seus mais profundos anseios!

O lugar específico que nos é designado na vida, é determinado por nossas capacidades. Nem todos atingem o mesmo desenvolvimento ou fazem com igual eficiência o mesmo trabalho. Deus não espera que o hissopo atinja as proporções do cedro, ou a oliveira a altura da majestosa palmeira. Mas cada qual deve ter o objetivo de atingir tão alto quanto a união do poder humano com o divino lhe torne possível.[15]

O trabalho, como veículo produtor de bens dos mais diversos tipos, é a base de sustentação da dignidade na sociedade. Um vagabundo é um pária que ninguém considera digno de honra e respeito. Com efeito, “o que lavra a sua terra se fartará de pão; mas o que segue ociosos é falto de entendimento”.[16]

Nosso modo de agir. Com relação ao mundo social e a nós mesmos é o reflexo direto e natural do resultado da educação que recebemos. Ora, uma educação sem trabalho útil é uma peste e uma desgraça para o seu possuidor e para a sociedade. Então, perguntamos: que aproveita participar de projetos de educação que não nos capacita para sermos úteis à sociedade onde vamos? Que nos adianta uma educação que nos torna intoxicados fisicamente, cheios de doenças psíquicas e toda sorte de maluquices e defesa de raciocínios doidivanas? Que adianta uma educação que torna o sujeito tão inteligente, mas tão inteligente que a maior de suas conclusões é que (por hipótese), Deus não existe e somos todos obra de um acaso energético e animais que evoluíram?

Que porcaria de sociedade pode ser produzida por uma alta inteligência treinada nestas coisas?

Pois é exatamente isto que se propõe em muitas salas de aula, por professores profundamente irresponsáveis, mal resolvidos e cheios de vícios – e, neste caso, a questão dos vícios degradantes da alma tem peso, porque o espírito cultivado é a medida da pessoa. Um sujeito que não sabe controlar a si mesmo não tem autoridade real para ensinar coisa nenhuma a quem quer que seja! É um pulha, um peidão!

O espírito e o coração indolentes e sem objetivos, são presa fácil do mal. É nos organismos doentios e sem vida, que medra o fungo. É a mente ociosa que é a oficina de Satanás. Dirija-se a mente para altos e santos ideais, tenha a vida um objetivo nobre, um propósito absorvente, e o mal encontrará pouco terreno.[17]

A importância de construir a vida acadêmica pautada nos grandes fundamentos da vida é a chave elementar para o verdadeiro sentido de estarmos em um Curso Superior qualquer e posteriormente, no exercício do nosso mister laborativo, podermos ser luzes no mundo e não mais um na lista de barrigudos, viciados em tabagismo e bebidas alcoólicas, destemperados o tempo todo!

Entendemos que as técnicas de trabalho na academia, os métodos de pesquisa e estágios, não são algo isolado ou desvinculado de uma postura holística do nosso ofício como um agente reflexo dos anseios de nossa própria vida. Não podemos atentar apenas para técnicas de produção acadêmica, porque não são um fim em si mesmas.

Ao final do Curso Superior, aluno deve estar apto para situar seu ofício como tradição histórica, ciência, técnica, arte e filosofia – que são partes de um modelo ético que expõe uma cultura de impacto social positiva e renovadora da vida e da saúde comunitária.

E é claro, tudo isto deverá acontecer pessoa a pessoa, no dia-a-dia como um exemplo para os que o cercam. No caso específico da profissão de terapeuta (seja de que área for e não somente médica):

O verdadeiro médico é um educador. Ele reconhece sua responsabilidade, não somente para com o doente que se acha sob seu cuidado imediato, mas também para com a coletividade no meio da qual vive. Ocupa o lugar de um guardião tanto da saúde física como da moral. É seu esforço, não somente conseguir métodos corretos no tratamento dos enfermos, mas incentivar hábitos sãos de vida, e disseminar o conhecimento dos retos princípios. Nunca foram mais necessários os conhecimentos dos princípios de saúde, do que o são na atualidade.[18]

A única esperança de coisas melhores está na educação do povo nos verdadeiros princípios. Ensinem os médicos ao povo que o poder restaurador não se encontra em drogas, porém na Natureza. (…) Ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício, regime conveniente, uso de água e confiança no poder divino – eis os verdadeiros remédios. Toda pessoa deve possuir conhecimentos dos meios terapêuticos naturais e da maneira de os aplicar.[19]

Cuidemos ciosamente com a magnífica oportunidade que nos tem sido dada em torno da vida com Deus e como nos conduzimos no campo da saúde e da educação – porque, muitos, focados demais em uma abordagem cética e ateísta, por considerarem as denominações religiosas um erro institucional e social – acabam por perder de vista que nós somos físicos, emocionais, intelectuais e espirituais e devemos viver em profunda interatividade com a família, a sociedade e com o meio ambiente e, esta plataforma não nasce de uma chocadeira, nem brota por acaso, da mesma forma que um dicionário não surge de uma explosão de uma tipografia!

Paz e bem!

Cordialmente,

Prof. Dr. Jean Alves Cabral


[1] Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Artigo 3º

[2] Mateus 7:24-27

[3] 2ª Coríntios 6:16

[4] 1ª Coríntios 3:16

[5] Hebreus 3:5,6

[6] DURANT, Will. História da Filosofia. Editora Nova Cultural. São Paulo. 2000, p. 444-461.

[7] WHITE, Ellen Gould. Parábolas de Jesus. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1998, p. 283.

[8] WHITE, Ellen Gould. Parábolas de Jesus. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1998, p. 331.

[9] Provérbios 14:14

[10] Provérbios 4:23

[11] 1ª Pedro 5:6-7

[12] Marcos 12:30-31

[13] 1ª João 3:16

[14] 1.º João 4:12

[15] WHITE, Ellen Gould. Educação. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, São Paulo. 1997, p. 267.

[16] Provérbios 12:11

[17] WHITE, Ellen Gould. Educação. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, São Paulo. 1997, p. 190.

[18] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, São Paulo. 1997, 123.

[19] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, São Paulo. 1997, 127.

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