Educação e Comunidade.

Já temos exposto até aqui que o caráter de uma pessoa está associado ao tipo de educação que recebeu. Já verificamos que o caráter de uma pessoa dedicada ao bem está sempre disposto a servir ao próximo como a si mesma.

Também verificamos que cumpre a cada um de nós que não teve uma educação voltada para este valor maior, travar batalhas consigo mesmo, a fim de avançar na vida, em busca de uma exaltada norma existencial.

O que seria então a educação?

Nossas idéias acerca da educação têm sido demasiadamente acanhadas. Há a necessidade de um escopo mais amplo, de um objetivo mais elevado. A verdadeira educação significa mais do que a prossecução de um certo curso de estudos. Significa mais do que a preparação para a vida presente. Visa o ser todo, e todo período de existência possível ao homem. É o desenvolvimento harmônico das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. Prepara o estudante para o gozo do serviço neste mundo, e para aquela alegria mais elevada por um mais dilatado serviço no mundo vindouro.[1]

Não concordamos em absoluto, com a ideia de que a educação seja um sistema de transmissão de normas de comportamento, ou a consequência de um conflito que impõe-nos a necessidade de adequações as realidades específicas de uma comunidade.

Isto temos como bem claro, porque se uma comunidade possui hábitos devassos, assassinos e desregrados, não podemos aceitar que a nossa educação deva moldar-se a este modelo.

A sociedade não é parâmetro para estabelecer o que é educação, porque a educação é formação do caráter individual. Portanto, qualquer tipo de iniciativa de educação feita pelo Estado é perigosíssima! Ao Estado cabe garantir a multiplicidade de propostas educacionais e não interferir com o direito dos pais em educar seus filhos dentro de suas tradições religiosas, porque filhos são a continuidade de um ser humano, ser este que deve ser respeitado em suas abordagens culturais!

Ora, sendo a sociedade de nosso tempo dominada por valores materialistas e capitalistas extremos, que caráter pode possuir alguém que explora o seu semelhante em nome de dinheiro e coisas materiais? Pior ainda, que segurança pode haver numa proposta socialista e comunista que tenta enquadrar todos como se fossem consumidores e nada mais?

Neste ponto precisamos salientar esta questão de modo contundente!

Observemos este gráfico e passemos a entender:

educacao-e-comunidade

Observemos que equilíbrio só pode existir no centro e qualquer proposta fora dele é, por força de sua própria manifestação, um erro porque quebra a harmonia entre as potências, conhecidas como indivíduos e Estado.

Isto entendido, temos apenas uma consideração a fazer: qual seria a única forma de controle aceitável para o plano político? A família! Porque somente na família com infraestrutura legitimada pela força do sangue e do amor, se impõe a autoridade do comando paterno e materno (representativo do Estado) e, ao mesmo tempo, pela força da individualidade que é grandemente cultivada para que os filhos possam se tornar pessoas úteis à sociedade!

A doutrina do familismo é a única que pode enfrentar e derrotar socialismo e liberalismo!

Com efeito, qualquer tipo de comunismo, fascismo e nazismo é coisa de gente com sérios problemas de percepção da realidade da experiência humana e, por outro lado, a anarquia é coisa de idiotas!

Não estamos dizendo que nosso modelo de educação ignora o capitalismo idolátrico de nossa geração, não, há muito de socialismo em toda parte – a ideia de que o Estado deve controlar tudo tem deixado seus rastros no caminho da história e todos sabemos que acaba com genocídios (basta averiguar os regimes de Cuba, China, Rússia, Coréia do Norte, dentre outros).

Estamos dizendo que a educação não pode resumir-se a tarefa de criar condições de sobrevivência e desenvolvimento sócio econômico do homem. E não afirmamos isto baseados em uma teoria mística de filosofias mortas, mas na realidade da própria sociedade que nos cerca.

Nunca a falta de escrúpulos e de caráter foram tão marcantes como agora! Toda a sociedade mundial, na dita era de globalização, incensa o materialismo como única forma de uma vida digna. A religiosidade interior tornou-se uma quimera e os frutos de tal tempo estão nas estatísticas objetivas de doenças, miséria, criminalidade e falta de honra aos pais.

Não ignoramos a discussão sobre o aumento populacional, o desenvolvimento industrial, a crescente onda globalizadora do comércio e dos meios de comunicação, a corrida armamentista e das novas formas de organização sócio-política, da democratização das massas, ou mesmo dos diversos tipos de propostas econômicas que apresentam-se na comunidade onde estamos.

Estamos dizendo que, somente na educação do indivíduo em família, focada esta na formação do caráter, podemos realmente enfrentar os desafios de nosso tempo e possibilitar uma revolução social benfazeja e concreta. Esta foi a proposta do Evangelho de Cristo ao seu tempo, é a proposta da nossa única proposta e, é o que cremos ser a chave para uma vida mais digna.

Porém, posto que a família (e não indivíduo) é a base da comunidade, nosso discurso focado na constituição e preservação da família é a chave de todo entendimento do que significa avançar para além do modelo que nos feriu a todos.

Não cremos na educação meramente individualizada que formaria egocêntricos e egoístas; não cremos também na educação comunitária que geraria um homem como uma simples peça do Estado ou da sociedade, em abdicação total de sua individualidade.

Preferimos a educação holística, que valoriza o ser humano como físico, mental, emocional e espiritual, capaz de amar a Deus e ao próximo. Educação esta que entende que este ser holístico deve ser respeitado na justa medida em que respeita ao outro e isto se impõe pela força da Lei, mas que, em face desta propositura, se submete à preservação da família, dos limites sociais da convivência fraterna e pacífica e na óbvia preservação do meio ambiente pelo uso racional e inteligente das suas capacidades!

Tal educação que valoriza a comunidade e o indivíduo (em família) como lados de uma mesma moeda, precisa estar apta a promover o desenvolvimento harmônico das faculdades do ser (holismo). Este desenvolvimento harmônico é educação, a preservação do equilíbrio é saúde. Com estes dois conceitos se funda a Escola Familista e não só uma revolução pode iniciar-se dentro de uma plataforma consistente, mas a nossa missão nesta vida se justifica plenamente!

Este nosso princípio se harmoniza com o anseio maior de nossa pátria que declara em seu texto Constitucional:

A República Federativa do Brasil (…) tem como fundamentos: (…) II- a cidadania; III- a dignidade da pessoa humana; IV- os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (…)[2]

Neste plano podemos compreender porque a doutrina da família é ponto focal e fundamental na Constituição Federativa do Brasil desde 1988 e, porque as forças do socialismo e do liberalismo buscam destruir a harmonia da família.

No caso do socialismo, destruir o conceito de família é destruir a harmonia que deve existir entre um homem e sua mulher, na criação de seus filhos, porque este modelo está ligado fortemente à cultura religiosa e, para um socialista, que só vê a meta final de um comunismo perfeito onde haja harmonia planetária, Deus e as religiões são conversa de otários e de imbecis que se entregam à ilusão de um mundo espiritual inexistente – por isto, destronar e eliminar a família é fundamental para estes defensores de “direitos humanos socialistas”. O Estado deve ser a única família e os membros da verdadeira família, natural pelo próprio ato sexual que gera a possibilidade de crianças, fica relegado à uma condição onde amor é besteira e a prole gerada já nasce propriedade do Estado. Aliás, o Estado cria leis em que ele se põe entre o pai e o filho – dando ao filho o direito de processar seu pai e de rejeitar, ainda que em terna idade, a educação que lhe é ofertada pela família natural. Isto é, em nosso parecer, coisa de satanistas!

Por outro lado, temos o modelo liberal que, como o nome diz é outra praga! Porque permite libertinagem moral e endossa o controle de alguns sobre um mar de escravos psíquicos ou submissos ao poder do salário que lhes permite um prato de comida. A única pessoa eu importa neste modelo é o indivíduo que deseja riquezas e poder. Ele não se importa com seus próprios familiares a menos que tal preocupação represente uma oportunidade de eternizar a sua própria marca ou imagem egoísta. As famílias dos outros não são de seu interesse e lucrar pelo controle dos meios de produção é seu ato glorioso! Outro tipo de satanista!

Para nós a plataforma correta deveria ser o que a própria Constituição propõe nesta passagem:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º – O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º – O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

§ 4º – Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes.

§ 5º – Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.

§ 6º – O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos.

§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.

§ 7º – Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.

§ 8º – O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

Fiados na Palavra de Deus pregamos e apregoamos:

Se alguém não cuida dos seus, especialmente dos da própria família, é pior que um incrédulo e negou a fé! (1ª Timóteo 5:8).

Nenhuma outra proposta pode vingar com a qualidade que esta passagem bíblica impõe! O político e o educador que focar nesta direção terá sucesso absoluto com certeza, ainda que os adversários pretendam continuar ganhando certas vantagens no modelo que aí está.

Paz e bem!

Cordialmente,

Prof. Dr. Jean Alves Cabral


[1] WHITE, Ellen Gould. Educação. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, São Paulo. 1997, 13.

[2] Constituição Federativa do Brasil de 1988. Artigo 1.º

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