As Sete Leis da Dietética Naturista.

Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a Terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente: ser-vos-ão para mantimento.[1]

Nós somos Santuários de Deus! (1ª Coríntios 3:16-17; Hebreus 3:5-6).

Quando pensamos como devemos cuidar desta Casa de Deus, que somos nós mesmos, uma das primeiras questões que vem à pauta de compreensão é: “que tipo de alimentação devemos usar para nutrir nosso corpo?”

Neste estudo vamos diretamente a análise de cada Lei que deve ser obedecida para que tenhamos uma nutrição adequada.

Nosso texto aqui não esgotará completamente a matéria, porque o espaço não permite, mas, certamente não deixaremos qualquer sombra de dúvidas em relação aos princípios que devem reger a nossa compreensão da matéria!

Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. (1ª Coríntios 10:31).

Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. (Romanos 12:1-2).

(1) Primeira Lei: A Lei da Regularidade.

Quando comer?

Tudo da vida depende de equilíbrio e moderação. Temperança é a atitude pessoal de evitar o que é prejudicial e usar controladamente o que é lícito.

O equilíbrio é promovido através do biorritmo regular que nos permitimos.

Jamais se deveria comer qualquer coisa entre as refeições regulares. Não há absolutamente nenhuma patologia que justifique comer fora dos horários do biorritmo natural do estômago. Violar a regularidade digestória é promover uma perniciosa violação das Leis Naturais.

  • Se quebrarmos os horários regulares das refeições, sobrecarregamos o organismo, porque o complexo digestório ainda não se desfez do alimento ingerido na refeição anterior e está sem força vital para um novo trabalho.
  • Se retardarmos o horário, o fluxo de força vital, passa do sistema digestório para os outros sistemas, então, ingerindo o alimento fora do horário fazemos um abuso, pois o estômago estará incapacitado para lidar com ele.
  • Se passarmos do horário regular de nossas refeições mais de 30 minutos, devemos ingerir somente 1 copo de suco de frutas ou suco de hortaliças e considerá-lo uma refeição completa. O tempo perfeito para os intervalos é de cinco horas e, após o almoço, é tolerável o jantar seis horas após – à partir daí somente no outro dia pela manhã.

A quebra desta Lei e das suas regras aqui expostas, produzirá todo tipo de anormalidades estomacais, o sistema neural gastará força vital extra para lidar com os abusos e, tirará esta energia extra do cérebro, que por sua vez ficará entorpecido e com baixa de fluxo sanguíneo – ou seja, a mente ficará obscurecida.

Há pessoas que comem quando o organismo não carece de alimento e estabelecem uma inflamação contínua pelo excesso. Há outras que comem lixos tóxicos o dia todo, tais como biscoitos, chicletes, chocolates, refrigerantes, dentre outras guloseimas – isto causa elevada acidez estomacal.

Poucos são os que têm força moral para resistir à tentação, especialmente ao apetite, e para praticar a renúncia. Para alguns é demasiado forte para ser resistida, a tentação de ver outros tomarem a terceira refeição: e imaginam estar com fome, quando essa sensação não é um pedido do estômago para se alimentar, mas um desejo da mente que não foi fortalecida mediante princípio firme e disciplina na negação própria. Os muros do domínio próprio e da restrição própria, em nenhum caso devem ser enfraquecidos e derribados. Paulo, o apóstolo aos gentios, diz: ‘Subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado’. Os que não vencem em coisas pequeninas, não terão moral para resistir a tentações maiores.[2]

Por toda esta exposição, concluímos a explicação desta Lei de forma prática. As tabelas abaixo definem o processo corretamente, num exemplo livre.

DESJEJUM
ÁGUA ALMOÇO ÁGUA JANTAR ÁGUA

 07:00h

09:00h às 11:30h

 12:00h

14:00h às 17:00h

 17:30h

19:30h às 06:30h

5:00h de pausa 5:30h de pausa

Pausa até amanhã

Observai o seguinte: Contamos sempre a partir do horário da primeira refeição. Ela é a base de cálculo diário. Após o desjejum, temos que respeitar sempre o intervalo abaixo relacionado. É interessante que a primeira refeição seja sempre cerca de uma hora após o levantar-se, e que ao despertar se tome água ou um chá digestivo, que irá alcalinizar a estrutura gastrointestinal.

(2) Problemas Associados.

O que pode ocorrer com nossa saúde, se quebrarmos o Cronobiograma Digestório?

Todo tipo de desordens estomacais, intestinais e hepáticas, são originadas antes de qualquer outro fator, na quebra do biorritmo que deveria existir para nossas refeições. E seu impacto será sentido em todo o corpo, até chegar ao Biorritmo Celular.

Isto é da maior gravidade! Se não houver equilíbrio, não há temperança, sem temperança será o caos. Mas como haverá temperança sem domínio próprio? Como haverá domínio próprio sem regras de horários de comer e beber?

Nosso Sistema Digestório precisa de atividades, mas precisa descansar também. Este ciclo de ação e descanso é a base de uma vitalidade preservada.

Se uma pessoa não pára de comer, ela estabelece uma completa loucura no biorritmo interno. O corpo inicia sua seqüência de nutrição e, quando está no meio dela, recebe impulsos de um recomeço. Então paralisa tudo que está fazendo e começa outro ciclo digestivo. O que ficou parado, fermenta, azeda e apodrece, desgraçando toda a cultura celular envenenando-a.

A repetição periódica desta atitude garantirá, sem sombra de dúvidas, uma grave intoxicação em diversos tecidos celulares e, o corpo por si só, procurará defender-se, mediante sua vitalidade natural, para eliminar os humores toxêmicos e restabelecer sua naturalidade. O processo de restabelecimento é chamado de “doença”, a toxemia é a “enfermidade”, mas a atitude de quebrar a Lei da Regularidade é chamada de “pecado”.

Se as pessoas concordam com esta lei ou não é uma questão de educação alimentar, todavia, sua realidade é absoluta e as conseqüências que aqui apresentamos serão certamente estabelecidas.

Quando uma pessoa nos diz que está sofrendo de dor de cabeça, que há prisão de ventre, que tem pneumonia, que está com doenças da pele, enfim, quando nos relata de qualquer problema de fundo crônico degenerativo, mesmo os casos agudos de perda do equilíbrio ácido-álcalis, sabemos que, com absoluta certeza, esta pessoa está com seu biorritmo celular perdido. Como já dissemos, o biorritmo celular depende do biorritmo digestivo, então sabemos que esta pessoa é intemperante quanto aos seus horários regulares de praticar refeições.

A quebra da Lei da Regularidade estabelece, por assim dizer, o biorritmo da intoxicação, que cobrará seu preço em termos de permanentes crises curativas que acabam por não serem efetivadas, porque não entendem as pessoas este processo de auto-depuração orgânica e se enchem de drogas, para evitar que as toxinas sejam lançadas fora do corpo.

(3) A Fermentação, o Azedume e o Apodrecimento.

Há uma diferença entre o que comemos e o que digerimos. A fisiologia da digestão deve ser respeitada em seu ciclo natural. Já discutimos isto!

Digerir alimentos é formar sangue – por esta razão, a digestão normal é fonte de sangue puro e a digestão anormal dá origem a sangue impuro.

Todo o processo começa na concupiscência dos nossos desejos. Ao olharmos, ou sentirmos, ou tocarmos no alimento, cobiçamo-lo. Depois de introduzido em nossa boca e engolido, já não tem mais volta. Se procedemos bem, será uma benção, se procedermos mal, será uma maldição.

Exatamente aqui precisamos conhecer bem um ponto elementar na compreensão da enfermidade gástrica:

O maior inimigo da digestão chama-se “Fermentação Tóxica”.

O que é fermentação tóxica?

É a formação de uma substância alimentar estragada. Esta fermentação ocorrerá no estômago por ocasião da mistura inconveniente do que comemos com o suco gástrico, ou da quebra de alguma das sete leis da dietética naturista.

Esta fermentação evoluirá até que chegará em nossos tecidos orgânicos e células, impossibilitando com isto a absorção dos nutrientes essenciais à vida celular, gerando todo tipo de distúrbios, sendo o pior de todos, a incapacidade de absorção de oxigênio na célula, também chamada de Insuficiência Respiratória Mitocondrial ou Hipóxia. Esta insuficiência é a raiz de todo o câncer, de toda infecção, de toda inflamação, do cancro e da morte.

O processo evolutivo da enfermidade ocorre assim:

FERMENTAÇÃO

AZEDA

APODRECE

ENVENENA

Uma das maiores as orientações ensinadas pelos Naturistas é a seguinte:

A constituição e funcionamento do nosso corpo dependem tão fundamentalmente da função digestiva, que podemos afirmar que a digestão constitui o centro de todas as atividades orgânicas e que, da natureza desse processo depende o estado de saúde ou doença que teremos.

O mais impressionante disto é que o resultado da digestão acabará em algum tipo de sangue que pode ser bom ou ruim. Este sangue, seja do tipo que for, irá viajar dentro de nós, saindo dos intestinos através de suas vilosidades absortivas e atingirá o nosso cérebro. Deveria ser do conhecimento de toda a população e de todas as crianças nas escolas públicas que, o que há em nossos intestinos (atingirá o sangue) chegará ao cérebro.

O que há em nosso cérebro? Os pensamentos que afetam nossa conduta emocional, intelectual, e nossa espiritualidade. Se uma pessoa viver bebendo álcool, a sua corrente sangüínea irá se encher de venenos, e o cérebro não funcionará direito – isto é de conhecimento universal!

Ora, visto que todos nós já vimos o resultado do álcool no cérebro humano, por que seríamos tão duros e tardios em entender que o que comemos irá atingir nosso cérebro também?

Somos um aparelho digestivo com membros, é no trato digestório que se elabora saúde ou se origina a enfermidade, não importa o nome que esta receba ou a manifestação que apresente.

O QUE COMEMOS
RESULTA NO SANGUE
QUE SENDO

 

BOM RUIM
Deixará nosso cérebro livre de toxinas, cheio de oxigênio e outras substâncias nutritivas; e consequentemente, pronto para boas idéias e bons pensamentos. Deixará nosso cérebro cheio de substâncias morbosas e anuviado, pesado e sem boa percepção.

Por esta razão, diremos que não há enfermo com boa digestão, como não pode existir homem são com digestão cronicamente perturbada.

Onde estará a relação da “regularidade” com a “fisiologia da digestão”? A má digestão desenvolve dois aspectos resultantes da fermentação:

  • A fermentação provocará transtornos de assimilação de nutrientes e;
  • A fermentação criará depósitos de toxinas que impedirão a eliminação de excrementos que azedaram, apodreceram e envenenam.

Pode acontecer que uma pessoa tenha uma boa elaboração bucal e até uma boa elaboração estomacal – mas, retendo os excrementos (fezes) por mais de 24 horas, irá intoxicar gravemente todo o sangue, e uma vez que este esteja intoxicado, irá depositar partículas dos excrementos nos tecidos mais receptivos que, variam de organismo para organismo.

Ora, se houver “regularidade” nos horários das refeições, nosso organismo poderá lidar melhor com as funções de nutrição e eliminação que são a base da vida orgânica.

A perda do biorritmo digestivo alcançará a célula, que perderá seu biorritmo também e, assim estabelecer-se-á a raiz da enfermidade na célula. Quando quebramos a regularidade da Fisiologia Digestiva, nosso corpo para de nutrir-se, aumenta a intoxicação e pára de eliminar excrementos. Este desarranjo agudo[3], ou crônico, gera uma congestão intercelular que em si mesma é inflamatória em grau variável (depende da carga já acumulada).

Este acúmulo de toxinas é um banquete para os micróbios que se ajuntam de uma só vez, e passam a nutrir-se e eliminar toxinas deles próprios, neste ponto estabelece-se a infecção, a ulceração e a tumoração, pois as células perdem a função ou tornam-se necróticas.

E tudo isto começa com a quebra da Lei da Regularidade aqui exposta!

(4) Segunda Lei: A Lei da Quantidade.

Vimos quando, agora veremos quanto comer?

Muitas pessoas estão pagando o preço elevadíssimo da gula que é chamada de “um dos sete pecados capitais”.

Já sabemos que o número correto de refeições diárias é três com intervalos ideais de cinco a seis horas entre elas, agora, o problema da gula não está apenas no indivíduo que come sem regularidade, ele reside com idêntica intensidade, no glutão que, mesmo comendo três vezes ao dia em horários regulares, abarrota loucamente seu estômago nestes horários.

Duas questões são fundamentais no assunto referente a quanto se deve comer, são elas:

  1. o peso total que iremos lançar no estômago; e
  2. a variedade de alimentos que vamos ingerir.

Mesmo que o peso total do alimento na refeição seja adequado, se misturarmos alimentos demais, haverá prejuízo.

Notemos a tabela abaixo que serve de parâmetro e não de regra absoluta para todas as pessoas:

Tabela sugestiva acerca do ideal de peso total por idade.

De zero à 01 ano

Leite materno à vontade e as vezes uma determinação clínica de cerca de 100 à 150 gramas de alimento por refeição.

De 01 ano à 03 anos

De 250g à 300g

De 03 anos à 05 anos

De 300g à 400g

De 06 anos à 10 anos

De 330g à 430g

De 10 anos à 14 anos

De 430g à 530g
De 14 anos à 45 anos Fixo 600g em média
De 45 anos à 65 anos De 330g à 530g
Acima de 65 anos De 300g à 400g

Algumas pessoas precisam de uma tabela como esta para poderem se autorregular. Todavia, na maioria das vezes, eu tenho instruído as pessoas da seguinte maneira: “consulte o bom senso”. Ou mais ainda, “consulte o Espírito de Deus”.

Certa ocasião numa Cidade do Estado do Pará, fui a uma casa como convidado. As pessoas eram muito solícitas, porém, me apresentaram um prato feito, com cerca de 1 kg de comida dentro. Havia desde o enorme peixe, muito arroz, feijão e outras coisas. Eu solicitei um prato menor gentilmente e dividi a quantidade por três, comendo apenas uma destas partes. As pessoas ficaram então dizendo que eu não havia apreciado o alimento, mas eu disse: “aprecio a vossa hospitalidade, mas não posso confundir esta apreciação com gula!”

Na mesma direção, temos a questão da múltipla mistura de diversos alimentos na mesma refeição. Isto causa uma dificuldade monumental, porque fermenta pela complexidade química de muitas coisas misturadas. Por exemplo, quem comeria cebola e açúcar, mais suco de laranja e molho de tomate? A maioria de nós faz esta mistura quando come uma pizza!

Sugerimos a seguinte organização:

Tabela do ideal de variedade de alimentos por refeição

Desjejum De 3 à 5 variedades de alimentos
Almoço De 3 à 5 variedade de alimentos
Jantar De 2 à 3 variedade de alimentos
(a) O que precisamos entender é que o segredo de uma boa nutrição está na variedade e na simplicidade dos alimentos que colocamos em nossa mesa.

(b) As pessoas buscam uma série de pratos cheios de condimentos, molhos, misturas estranhas à natureza fisiológica humana e em nome do gosto pessoal, acreditam que estão bem com este padrão.

(c) A experiência tem demonstrado claramente que por este tipo de dieta os hospitais estão cheios de envenenados, cancerosos, infectados e inflamados.

Quando comemos muitas variedades, podemos estar a criar algum veneno tóxico desconhecido.

Tudo que nos diminui a força física, enfraquece a mente e a torna menos capaz de discernir entre o bem e o mal. Ficamos menos aptos para escolher o bem, e temos menos força de vontade para fazer aquilo que sabemos ser justo. O mau uso de nossas forças físicas abrevia o período de tempo em que nossa vida pode ser usada para a glória de Deus. E nos incapacita para cumprir a obra que Deus nos deu para fazer.[4]

Baseados nestas exposições, sintetizamos alguns critérios que nos ajudarão a compreender melhor a Lei da Quantidade na prática.

 (4.1.) A Primeira Refeição: o Desjejum.

De manhã, o estômago está com plena força neural. O repouso que lhe conferimos, praticando nossa terceira refeição do dia anterior há mais de 12 horas, além de repousá-lo, deu ao cérebro o tempo adequado para restaurar todas as funções nervosas. A energia vital está em alta, há plena condição de ação metabólica.

Assim, o costume de tomar de desjejum leve é errôneo. Este é o momento em que deveríamos ingerir maior quantidade de alimento super-vitalizado naturalmente (crus). Em casos de estômagos normais, isto é, sem problemas cirúrgicos ou afecções doloridas (Gastralgia), indicamos o seguinte exemplo:

a)    2 reguladores;

b)    1 regulador de apoio (um componente especial ou iogurte);

c)    1 construtor;

d)    1 energético tolerável.

Recomendo “A Lei da Combinação”, onde apresento cardápios e sugestões. Mas, observe que indicamos aqui 2 reguladores, 1 regulador de apoio, 1 energético e 1 construtor. E sugiro que apenas 1, dentre todos estes componentes seja tomado morno/quente.

(4.2.)A Segunda Refeição: o Almoço.

A tradição brasileira é a de almoços substanciais e pesados em todos os sentidos. São pratos agressivos tais como: churrascos, feijoadas, macarronadas, pirões, assados e outros.

Nossa orientação é diferenciada neste aspecto. Embora o almoço deva ser uma refeição completa, é importante saber dosar tal composição em no máximo 3 pratos com 5 componentes diferentes, sendo o prato principal composto de salada crua, representando 50% do total à ser comido na refeição, e sendo comido obrigatoriamente antes dos outros pratos que seriam cozidos ou/e assados.

Assim, teríamos:

a)    1 Regulador verde e 2 Reguladores coloridos (amarelo e vermelho);

b)    1 Construtor – em forma de feculentos ou cereal cozido, ou assado, dependendo da combinação que for possível financeiramente para a família;

c)    1 Energético – em forma de algum alimento que seja compatível com os outros já citados.

Recomendo observar o capítulo sobre “A Lei da Combinação”, onde apresento sugestões.

(4.3.) Terceira Refeição: o Jantar.

O ser inteiro está cansado de um dia de desgastes e anseia por descanso, por que abarrotaríamos o estômago em sua hora mais sensível?

O hábito pernicioso de uma terceira refeição pesada, força adaptações no relógio biológico que à médio e longo prazo provocaria o fim de cerca de 40% da força digestiva, causando lesões no estômago e nos órgãos associados criando uma insuficiência tal, que seria muito complicado para recuperar-se quando o mal estabelecer-se.

Durante o sono acontece o período de reorganização neurossensorial e a ação metabólica cai muito. A proporção é de 80% para 20%. Se o jantar for pesado, o trabalho digestivo ocuparia a atenção do sistema nervoso nutrindo e não eliminando pelo menos durante 5 à 6 horas após o jantar.

Substâncias provenientes da degradação das proteínas circulariam provocando estímulos e irritações. Os elementos nocivos provenientes dessa refeição criariam dificuldades para neutralizações e evacuações ao longo das próximas 24 horas. O trabalho de eliminação interna seria prejudicado e assim, diversas toxinas facilmente seriam acumuladas e depositadas no organismo.

O ponto máximo para a boa digestão acontece no período da manhã no início da fase de consumo. O ponto máximo de descanso ocorre na noite, no pleno repouso do corpo, enquanto nossa mente assiste a algum “filme” num sonho onde somos o personagem principal.

Cada pessoa vai necessitar de energia para o trabalho do dia; de manhã os órgãos digestivos estão em plena forma (após o repouso) para suas funções. Um jantar leve, só frutas, ou suco de frutas, prepara o organismo para a boa digestão e o bom aproveitamento da primeira refeição.

O ideal para a terceira refeição seria só frutas. No máximo poderia ser acrescentado pão torrado ou equivalente. Nada de proteínas, nem gorduras. Esta postura possibilitará o seguinte:

  1. Favorece o sono;
  2. Permite restauração do sistema nervoso;
  3. Evita absorção de toxinas;
  4. Contribui para longevidade;
  5. Poupa a tão solicitada energia vital.

Em casos excepcionais de subnutrição ou perda do peso excessivo, temos utilizado com sucesso um jantar “mais forte”, que poderia ser a repetição do desjejum ou do almoço, mas cuidando criteriosamente da questão da Lei da Regularidade. Convém salientar que seria uma situação que não deveria ser considerada vitalícia, mas circunstancial. Um acompanhamento proximal do profissional de saúde especializado poderá favorecer muito na situação em pauta.

(5) Terceira Lei: A Lei da Temperatura.

Em matéria de alimentação, existem duas escolas. Para estabelecer o valor dos alimentos a escola mais antiga faz uma análise química minuciosa. A escola mais recente se preocupa principalmente com o valor biológico dos alimentos que usamos nas refeições. A primeira escola estabeleceu bases calóricas para nossa alimentação, a segunda escola não se preocupa com proteínas, carboidratos e calorias dos alimentos, mas classifica os alimentos pelo seu valor biológico, pela sua vitalidade. (David Werner[5]).

A digestão é um processo de fermentação microbiana que requer determinada temperatura para desenvolver-se de forma normal e conveniente.

Não há e nunca haverá digestão saudável se a temperatura do sistema digestório inteiro não for de 37 graus.  O sangue puro só se forma nesta condição.

Então perguntamos: por quê?

Se a temperatura do tubo digestivo for superior a 37 graus ou, se for muito abaixo de 36 graus, favorece a putrefação dos alimentos dentro do sistema digestório, corrompendo toda sua bioquímica, fermentando tudo no tubo (que envolve, estômago, intestinos, etc).

Considere-se nos dias mais quentes do verão, quando um prato de comida azeda em poucas horas. Para evitar esta putrefação dos alimentos, foi criado o “frigorífico”.

O extraordinário naturista chileno Manoel Lezaeta Acharán, codificador da Doutrina Térmica Naturista, ensinava que ao “refrigerar-se” o interior do ventre do indivíduo, evitava-se assim as putrefações intestinais.

Os 37 graus são a temperatura normal do corpo humano. Não é uma temperatura selecionada ao acaso, mas trata-se de uma determinação precisa. Falamos aqui de uma questão de anátomo-fisiologia humana.

Se a elaboração do vinho ultrapassar o grau correto de temperatura, ele se avinagra pela fermentação. Assim são os intestinos em suas funções normais.

O calor anormal do estômago e dos intestinos, febre interna que, em grau variável, favorece a putrefação dos alimentos – priva o organismo das substâncias de que necessita, e em troca, incorpora no seu sangue substâncias decompostas, inúteis e prejudiciais. Daqui, compreendemos que todo enfermo é um desnutrido e intoxicado – em grau variável.

A presença da febre, ou melhor, da alteração da temperatura do sistema digestório, indica sempre a causa única de todos os distúrbios orgânicos, sejam eles quais forem.

O que é importante sabermos é que na questão da temperatura gastrintestinal, a irritação, a inflamação e a congestão das mucosas e paredes do estômago e do intestino, estabelecem-se paulatinamente no quadro da febre.

Por isto é fundamental entenderemos que:

a)    Desde que deixa o peito materno o ser humano vive fermentando seu sistema digestório e, faz isto até morrer desta causa (dita natural);

b)    Quando os naturistas interferem no processo, apenas “resfriam” a temperatura gastrintestinal, pois a temperatura certa não haverá cura verdadeira na estrutura afetada.

E explico porque é assim: toda estrutura biocelular, toda cronobiologia intracelular, todo o sangue e todo o sistema nervoso – juntos estão afetados devido à febre gastrintestinal.

Ao submetermos o sistema digestório ao longo de nossa vida pela desobediência as sete leis que estamos ensinando, congestionamos e lesionamos seriamente o estômago e a mucosa intestinal. Isto vem desde a infância e segue por toda a vida.

A febre torna-se crônica, vitalícia, atua 24 horas do dia e afeta-nos completamente!

Os vasos capilares dilatam-se retendo muito sangue nas vísceras e, assim, a temperatura eleva-se. A congestão intracelular aumenta pela periódica chegada de novos lixos provenientes de nossos hábitos intoxicantes.

A fermentação pútrida, o desenvolvimento de gases tóxicos e ácidos corrosivos que privam o sangue de substâncias puras e nutritivas, fazem sua obra sinistra. O meio interno celular e o meio externo se enchem de radicais livres e ácidos pesados.

O fluido vital de venenos que produzem novas irritações, inflamam e congestionam, tornam o sangue um “caldo para alimentação de vermes e micróbios”.

O mau estar leva o moribundo à medicina medicamentosa, que lhe enche o corpo de drogas para aplacarem os sintomas que está sentindo, chama tais “anormalidades” de “patologias” e acabam por interromper a eliminação natural que se havia estabelecido e a toxemia é incubada no interior do corpo. Toda esta situação ocorre por causa da nutrição inadequada que gera desnutrição e intoxicação intracelular.

Ora, sendo que desde a infância, o homem inicia o processo de degeneração dos seus órgãos digestivos, agravando este desarranjo por alimentação inadequada, é um milagre de Deus que vivamos até 60 ou 70 anos.

Disto retiramos a seguinte conclusão: uma vez que os desarranjos digestivos são o ponto de partida e apoio da enfermidade (toxemia), qualquer tratamento curativo deve objetivar a normalização da digestão com o combate à febre das vísceras.

Tal refrescamento visceral pode ser feito imediatamente através da hidroterapia e geoterapia – mas à longo prazo, ou seja, no período de 10% do tempo de vida do indivíduo, pode-se restaurar a vida cronobiológica básica e, a única técnica naturista que pode efetuar esta benção é a Educação Alimentar.

Os doentes não sabem o que tem porque, insensível e progressivamente, a saúde original vai acabando. Crê-se que não há doença sem dor e se não sentimos dores, julgamos que estamos bem de saúde. A ausência de dores não é regra para conhecer-se a qualidade de nossa saúde. A ausência de dores, muitas vezes é sinal de grave perigo, pois os estímulos de proteção podem estar seriamente comprometidos pela toxemia profunda.

Nesta Lei da Temperatura o que há de mais importante é: cuidado com o que colocamos no estômago porque deve favorecer o equilíbrio térmico e não alterá-lo negativamente!

(6) Quarta Lei: A Lei da Qualidade.

Mesmo nos últimos tempos a fome tem matado mais gente do que a própria guerra. Mas o número dos que assim morrem, ainda é pequeno em comparação com os que morrem num regime alimentar inadequado para manter a saúde e que, por isso mesmo, sofrem em maior ou menor grau de doenças de nutrição. (Lord John Boyd Orr).

O que comer?

Quem comeria, de sã consciência, alimentos estragados e podres?

A maior prova de que o que comemos determina nossa qualidade de saúde ou doença está nesta questão. Se comermos comida azeda, teremos uma infecção ou inflamação gastrintestinal, haverá transtornos gerais que atrapalharão todo o organismo, inclusive com risco de morte prematura.

Agora, a questão da qualidade é um pouco mais ampla do que prazos de validade dos alimentos. Os outros aspectos seriam relacionados com crescimento, processamento, comercialização e armazenamento dos alimentos. O espaço não nos permite discutir todos eles aqui. E ainda há a questão dos falsos alimentos, dos produtos que o povo pensa que são comida e são venenos.

Não dispomos aqui de espaço para um aprofundamento nestes pontos, porque seria preciso escrever um livro sobre cada tema. Assim, procuraremos considerar os pontos básicos sobre “qualidade”.

Existe variação nos alimentos que nos oferecem nas grandes cidades e até mesmo nas pequenas porque há o empobrecimento do solo, o armazenamento prolongado, com os aditivos químicos, com a industrialização que adultera, com o tratamento específico do alimento em si.

A verdade é que não há alimento disponível para toda a população sem afetação estrutural – hortas orgânicas são raras e poucas pessoas entendem deste tema. Outros possuem pouco dinheiro e, comem o que podem.

Assim, por questões financeiras, falar da qualidade alimentar é um assunto delicado, pois certas situações são exclusivamente sócio-econômicas. Seríamos infantis se disséssemos que a sociedade brasileira, por exemplo, pode oferecer a toda a população uma alta qualidade de produtos naturais.

Isto não é possível devido aos gigantescos obstáculos que evidentemente temos conhecido continuamente, dentre os quais estão as máfias industrializantes.

O que temos orientado individualmente aos diversos clientes que temos é que busquem associações de cultivadores de hortas orgânicas, e busquem selecionar na medida do possível o que for melhor, todavia, especialmente na Região Nordeste Brasileira, onde estou enquanto escrevo este material, há milhões que não sabem se terão o que comer hoje na próxima refeição, quanto menos a qualidade do que será.

A miséria e a fome estão acampadas em regiões onde a ignorância intelectual é notória. Creio que a pobreza não é a causa da ignorância, mas conseqüência desta.

Protesto contra este modelo cruel de distribuição de renda, que não educa a humanidade para que esta pare de multiplicar-se loucamente, sem possuir condições de gerar recursos de manutenção das multidões que não param de nascer. Não há emprego, não há moradia e não há como sustentar esta multidão que cresce numericamente de modo tão absurdamente irresponsável.

Esta é a Lei mais sensível e social da dietética naturista: a fome por escassez! O que fazer para dar comida de boa qualidade para o povo? É necessário empenho e cuidados especiais neste ponto que um homem sozinho jamais conseguira realizar.

Todavia, alguma coisa pode ser feita, pois me alegro em poder ajudar a salvar alguns, embora saiba que esta é uma pequena contribuição diante dos gigantescos desafios que se lançam contra a sociedade. Por isto tenho ensinado que a melhor maneira de evitar a perda da qualidade alimentar é – dos males o menor.

Devemos ingerir uma ampla variedade de frutas, vegetais, grãos integrais e leguminosos. Os alimentos concentrados, misturados, adulterados, ou cheios de muita condimentação, devem ser evitados ou abandonados.

Para manter este padrão alimentar, será preciso adotar a postura pessoal de buscar residência em cidades do interior e não em metrópoles.

É necessário, porém, que comamos uma boa variedade de alimentos não industrializados. A variedade evitará que nosso corpo se vicie com substratos inadequados à formação de sangue de boa qualidade.

Nenhuma mulher deveria casar-se sem conhecer antes como irá alimentar sua casa. Trata-se de assunto fundamental na vida. A tradição brasileira delegou à mulher o comando da cozinha e este comando têm mais que ver com a saúde e a qualidade de vida dos membros da família do que a maioria das pessoas imagina.

Sugiro a leitura de alguns livros que poderão favorecer a compreensão sempre presente e atual:

  • Relatório Órion – Márcio Bontempo – Editora L&PM – Porto Alegre, RS.
  • Nutrição orientada – Durval Stockler de Lima – Casa Publicadora Brasileira, SP.
  • Alimentação Desintoxicante – Conceição Trucom – Editora Alaúde, SP.
  • A Dieta Que Evita o Câncer – Daniel Boarim – Edições Vida Plena, SP.
  • Você Sabe Se Alimentar? – Dr. Soleil – Editora Paulus, SP.

Na questão da qualidade do que comemos, estas obras que aqui indico poderão ajudar-nos a compreender, ao lado de outras pesquisas que já podem ser amplamente encontradas na Internet, quais são algumas substâncias que chamamos alimentos, temos na conta de serem alimentos; mas, na verdade envenenam o sangue gravemente, porque fermentam ou são em si mesmos fermentos ou coquetéis químicos.

Posto que a população inteira utilize-os e a ignorância esteja espalhada em todas as partes, entendemos que é nosso dever instruir a todos acerca de alguns destes produtos que devemos banir de nossas mesas.

A lista que apresentamos como não ideal e que poderemos ler nos títulos sugeridos, ou em outros materiais de pesquisa são:

  • Açúcar branco, com seus derivados clássicos: balas, bombons, chicletes, picolés, sorvetes, pudins, tortas, doce de leite, refrigerantes (todos os tipos), enlatados doces de todo tipo (industrializados), empacotados doces de todo tipo (industrializados), biscoitos, bolos mal elaborados e cheios de ovos; pães não integrais, pizza, sucos de lanchonetes, dentre outros que deve-se investigar. O açúcar é desmineralizante e, segundo o Dr. Márcio Bontempo: um ladrão orgânico!
  • Sal refinado: que tem certas doses descontroladas de óxido de cálcio (cal de parede). Segundo Dr. Bontempo, o sal tem nele: Iodeto de potássio, Óxido de cálcio, Carbonato de cálcio, Ferrocianato de sódio, Prussiato amarelo de sódio, , Fosfato tricálcio de alumínio, Silicato aluminado de sódio, Dextrose , Talco mineral.
  • Carnes: “O gado bovino (bem como o suíno, as aves, coelhos etc.) é criado geralmente fora das condições de equilíbrio com as leis naturais, o que exige correção medicamentosa de várias doenças, pragas e enfraquecimento, por meio de grandes quantidades de vitaminas, cálcio, sais minerais diversos e vacinações repetidas. As vacinas aplicadas no gado podem provocar variadas reações alérgicas nos seres humanos, pois ao gerarem uma reação de anticorpos nos animais produzem “confusão” no sistema retículo endotelial do consumidor. “Também presentes nas carnes, principalmente bovina e a de aves, os antibióticos representam sério perigo. Sabemos bem e conhecemos os efeitos da ingestão constante de pequenas doses de antibióticos: resistência bacteriana, com o surgimento de infecções constantes que exigem tratamentos mais complicados e antibióticos fortes e mais específicos. “Chamamos a atenção também para a presença do DDT na carne, seja devido aos carrapaticidas ou pela ingestão do mesmo através da forragem. “A carne consumida hoje nos grandes centros geralmente ficou alguns meses num frigorífico (à espera de que seu preço se elevasse, garantindo assim mais lucro). Com isso ela esfria e se torna desvitalizada. Isto “exige” o acréscimo de nitrato de potássio e sulfito de sódio. “Cancerígeno também é o benzopireno, derivado do alcatrão da hulha (mesma família dos corantes, aromatizantes etc.), muito concentrado em churrascos e carnes para hambúrgueres. Um Kg de carne de vaca comum possui a mesma quantidade de benzopireno encontrado em 600 cigarros.”[6]
  • Ovos: que nos que são de granja são na verdade óvulos carregados de cloranfenicol e outras toxinas que podem causar diversos danos no corpo.
  • Pescados e laticínios: carregados de cloranfenicol, nistatina e outros produtos de preservação que alteram a química de nosso corpo.
  • Margarinas: cheias de aromatizantes, antioxidantes, acidulantes, etc.
  • Outros componentes tóxicos: enlatados em geral, chocolates, farinhas e papinhas lácteas, cafés instantâneos, dentre outros.
  • Todas as farinhas refinadas.
  • Todos os refrigerantes e bebidas alcoólicas.

(7) Quinta Lei: A Lei da Combinação Alimentar Corrreta.

Nos últimos anos, foi registrado o efeito curativo dos alimentos crus sem agrotóxicos em casos de câncer, artrite, cálculos biliares, tuberculose, diabetes, de problemas do coração, do estômago, do intestino, da pele, da próstata e muitas outras doenças. Essa alimentação significa prevenção de doenças para a pessoa saudável e esperança para o doente que já foi desenganado pelos médicos. (Ernest Günter[7]).

A digestão depende dos alimentos quanto à sua correta combinação. A arte e a ciência de combinar corretamente os alimentos deve ser considerada cuidadosamente.

A Doutrina Térmica Lezaetana classifica os alimentos em dois grupos apenas, a saber:

  1. alimentos que refrescam; e,
  2. alimentos que tornam febril o aparelho digestivo.

Num único momento temos os alimentos que se comem crus, no seu estado natural e os alimentos cozidos, que exigem um prolongado esforço digestivo, congestionando as mucosas do estômago e elevando assim a sua temperatura. Esta febre agrava-se com alimentos cadavéricos, produtos industrializados, bebidas alcoólicas e os condimentos excitantes.

Os nutricionistas possuem ampla e complexa classificação para cada alimento. Outros acham bobagem classificar os alimentos e subordinam tudo à ingestão de tudo em uma miscelânea toxêmica.

A verdade é que combinar alimentos corretamente é uma arte e uma ciência que exige muito cuidado. Devemos saber quais são os melhores alimentos estudando o plano original de Deus para a raça humana quando criou-a.

O público não conhece e não entende de combinação alimentar, por esta razão, os Terapeutas Nutricionais Naturais têm uma positiva parcela de contribuição a oferecer.

Nosso negócio é evitar perturbações digestivas que podem surgir se houver combinação imprópria e, evitar com isto o surgimento da fermentação gastrintestinal que contamina o cérebro através do sangue enfermiço.

O nosso entendimento da matéria baseia-se no fato incontestável de que um boi que produz carne, leite, couro, gordura, manteiga e outros ingredientes usados largamente na sociedade, adquire sua energia de uma única fonte alimentar – os vegetais.

Ao criar o homem, Deus não lhe disse: comerás vitaminas, hidratos de carbono e proteínas – antes Sua palavra foi:

Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. (Gênesis 1:29).

Ela (a terra) produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. (Gênesis 3:18).

Assim, firmamos a postura de uma técnica simples, natural, original e totalmente compatível com a vida e sobrevivência da raça humana. Nosso trabalho clínico é, neste ponto, aplicar o mandado divino original, ou seja, no uso de frutas, sementes, verduras, ervas, hortaliças, legumes, flores e folhas, raízes e oleaginosas – sim, nesta fonte natural – podemos ter toda fonte de energia nutricional essencial.

  1. As frutas, verduras e ervas são alimentos reguladores, pois possuindo vitaminas e sais minerais, regulam o funcionamento do corpo, resumido em nutrição e eliminação de substâncias orgânicas;
  2. Os cereais e os feculentos, bem como as raízes, são ricos em hidratos de carbono, são pois alimentos energéticos, comunicam energia ao corpo para funcionar e aquecer-se.
  3. As sementes, que são leguminosas, nozes e algumas oleaginosas, são alimentos construtores, pois possuem proteínas, para construir e reparar células dos tecidos do corpo.

(8) Combinando Alimentos.

 (8.1.) As Tabelas de Base Pura.

A presente apresentação é a caracterização de uma alimentação que consideramos pura, ou seja, trata-se de uma base alimentar de alto valor para quem a pratica. Não possui qualquer complicação e é o mais crua quanto possível. Passemos à classificação da tabela geral.

Esta primeira é pertinente ao desjejum:

Idéias de Desjejum

Pão

Fruto semi-ácido Mel + Leite ou Yogurte
Fruto doce Mel + Leite
Fruto seco Mel + Leite ou Yogurte
Fruto semi-ácido Fruto Oleaginoso

Cereal ou Granola

Fruto doce Fruto Oleaginoso
Fruto doce + fruto seco Mel + Leite ou Yogurte
Fruto seco Mel + Leite ou Yogurte

Aspectos importantes nesta composição de matinal:

  1. evite usar mais do que um cereal, embora isto não seja uma proibição (caso da granola);
  2. se for cozinhá-lo, faça-o no mínimo por 15 minutos;
  3. se for comê-lo cru, mastigue-o bem;
  4. recomendo, especialmente: aveia, milho e derivados e fibra de trigo – pois são extraordinariamente baratos e de fácil acesso.

Esta outra Tabela já é bem diferente e, recomendada ao almoço:

Idéias do Almoço
Leguminoso 2 verduras 2 hortaliças
Feculento 2 verduras 2 hortaliças
Cereal 2 verduras 2 hortaliças

Se qualquer pessoa comer neste almoço na proporção a seguir, o nível de alcalinidade do sangue subirá a alturas impressionantes que possibilitarão uma altíssima elevação de nutrição e eliminações.

Recomendo que se coma sempre:

  1. a) 50% do prato – as 2 verduras;
  2. b) 25% do prato – as 2 hortaliças;
  3. c) 25% do prato – o único escolhido dentre os três: ou cereal, ou feculento, ou leguminoso – que passou pelo fogo com certeza.

O jantar, também na linha da dieta pura consiste em uma composição que pode ser assim definida:

Idéias do Jantar
Fruta Ácida Leite ou Yogurte Mel + Fruto Seco
Fruta Ácida Pão Torrado ———————————————–
Erva Digestiva (Chá) Pão Torrado Fruta Doce
O mesmo do desjejum é uma outra opção interessante.

Tabela de Indicação de Produtos

Frutos Ácidos laranja, limão, abacaxi, manga, tamarindo, acerola, graviola, ameixa amarela, cajá, morango, grapefruit, cupuaçú, mangaba, pitanga, kiwi, cajarana, umbú, bergamota, jaboticaba, romã, amoras, ananás, tangerina, framboesa.
Frutos Semi-Ácidos goiaba, maçã azedinha, uva, pêra, pêssego, ameixa vermelha, caju, caqui, cereja, damasco, maracujá
Frutos Doces mamão, banana, abacate, cana de açúcar, figo, maçã argentina
Frutos Monofágicos melão, melancia, jaca, jenipapo
Frutos Oleaginosos gergelim, amendoim, nozes, castanha de caju, castanha do Pará, avelãs, linhaça, azeitona, óleo de milho, azeite oliva, óleo girassol, óleo gergelim, óleo linhaça, leite de côco, pecã, semente de abóbora, pinhão
Frutos Secos uvas passas, côco, ameixa preta
Verduras alface, agrião, coentro, salsa, cebolinha, acelga, espinafre, brócolis, dente de leão, tomate, folhas de cenoura e beterraba, couve (verde/mineira), chicória, mastruço, folhas do feijão
Hortaliças abóbora, quiabo, vagem, pimentão, pepino, cebola, repolho, ervilha em vagem, alfavaca, aspargos, chuchu, couve flor, palmito, alcachofra
Mel mel puro, própolis, geléia real, cêra de colméia
Coalhadas yogurte, coalhada de leite de gado ou de cabra
Leguminosos amendoim, feijão (de todo tipo e cor), soja, lentilha, fava, ervilha em grãos, grão de bico, feijão azuki
Feculentos e Tubérculos batata, batata doce, macaxeira (aipim), inhame, mandioca, taioba, nabo, mandioquinha, rabanete, cará, cenoura, beterraba
Cereais gérmen de trigo, aveia, centeio, milho, canjica, arroz, farinha de trigo, fibra de trigo (ou farelo), fubá, pipoca, canjiquinha (ou xerém), cuscuz, macarrão integral, cevada, triguilho, trigo sarraceno, sorgo,
Pão pão integral de fibra (ou farelo), pão de centeio, pão de côco e milho, panetone naturista
Leite de gado ou de cabra, deve ser bem fervido e de preferência transformado em yogurte ou coalhada
Ovo somente cozido por mais de 10 minutos e bem picado e moído
Açúcares açúcar mascavo, melado de cana
Sal sal marinho puro
Cremosos manteiga pura, creme de leite, requeijão
Queijos queijo fresco (somente)
Ervas Especiais capim santo (cana do brejo), erva cidreira, hortelã, boldo do Chile, carqueja, capuchinha, malva, espinheira santa, cavalinha, losna, jurubeba, melissa, quebra pedra, picão, sálvia

Tabela Geral de Classificação Trofoterápica[8]

Fruto Ácido Fruto Semi Fruto Doce Monofágico Oleaginoso Fruto Seco Verdura Hortaliça Leguminoso Feculento Iogurte Mel Cereal Pão Leite
Fruto-ácido P  
Fruto-semi N P  
Fruto-doce N N P  
Monofágico N N N N  
Oleaginoso B B B N O  
Fruto seco B O O N N B  
Verdura N N N N O N O  
Hortaliça N N N N O N O O  
Leguminoso N P P N N N O O N  
Feculento N P P N O O O O N N  
Iogurte B B O N N B N N P O O  
Mel B B O N N B N N B O B O  
Cereais N P B N B B O O N N B O N  
Pão P B B N B B O O N N B B N O  
Leite B B B N P B N N N P B B B B O
P – significa que a combinação é passável, dependendo da tolerância pessoal
N – significa que a combinação jamais deverá ser realizada, pois causa imediata fermentação

B – significa que a combinação é boa, mas, há casos em que alguns não se dão bem

O – significa que a combinação é ótima

(9) A Sexta Lei: A Lei do Valor da Mastigação, Ensalivação, Degustação e Deglutição.

Os quatro primeiros momentos da digestão ocorrem na boca, onde estão os dentes, as glândulas salivares e a língua. O processo de interatividade do alimento com estas partes é tão essencial que, se não houver cuidadosa atenção de nossa parte para tal, começaremos toda a nossa condição dietética absolutamente fora do ideal. Estes quatro primeiros momentos são a mastigação, a ensalivação, a degustação e a deglutição.

Eles acontecem quase que simultaneamente e, devemos ter bem esclarecido que se nosso início for incoerente com o que deve ser feito realmente, sob o ponto de vista dietético, estaremos comprometendo todos os demais processos que virão a seguir, os quais são digestão, absorção intestinal e eliminação fecal.

A pergunta imediata é: por que devemos dar cuidadosa atenção a estes momentos iniciais da digestão?

Algumas considerações oportunas são:

Nem mesmo a satisfação do paladar depende tanto da quantidade do alimento engolido quanto depende do tempo que o mesmo permanece na boca. Os que são excitados, ansiosos ou apressados, fariam bem em não comer até que tivessem encontrado tranqüilidade ou repouso; pois as faculdades vitais, já duramente sobrecarregadas, não podem suprir os necessários fluidos digestivos.[9]

Muitos cometem o erro de beber água fria nas refeições. Tomada com as refeições a água diminui a secreção das glândulas salivares; e quanto mais fria a água, tanto maior o dano causado ao estômago. Água ou limonada geladas ingeridas às refeições, paralisa a digestão até que o organismo haja comunicado ao estômago calor suficiente para recomeçar seu trabalho.  As bebidas quentes são debilitantes; além disso, os que se permitem usá-las tornam-se escravos do hábito. O alimento não deve ser impelido para dentro com água; não é necessária bebida com as refeições. Comei devagar, e deixai que a saliva se misture com a comida. Quanto mais líquido for posto no estômago com as refeições, tanto mais difícil é para a digestão do alimento; pois esse líquido precisa ser absorvido primeiro. Não useis demasiado sal; abandonai o picles; excluí de vosso estômago alimentos ardendo de condimentos; comei frutas com as refeições, e a irritação que reclama tanta bebida cessará. Se, porém, alguma coisa é necessária para extinguir a sede, água pura, tomada pouco tempo antes ou depois da refeição, é tudo quanto a natureza requer. Nunca tomeis chá, café, cerveja, vinho ou qualquer bebida alcoólica. Água, eis o melhor líquido possível para limpar os tecidos.[10]

(10) A Sétima Lei: A Lei da Eliminação dos Excrementos Fecais.

O tubo digestivo, principalmente na parte em que o intestino delgado se encurva, está muitas vezes coberto por “colas”, “vernizes”, “caroços duros” (sais tóxicos). As diarréias e enterites são tentativas de libertação para expulsar essas substâncias estranhas.

A prisão de ventre é causada por uma insuficiência das secreções biliares e pela secagem das glândulas mucosas, esgotadas pela acidose alimentar. A estagnação das matérias provoca o alongamento das bolsas estomacais e intestinais (ptoses).

As irritações (estomatite, gastrite, etc.) são “fluxos” que preparam os catarros libertadores de humores, infelizmente 90% da sociedade têm com certeza este tipo de enfermidade, a colite intestinal.

As úlceras que nasceram em diversos locais do tubo digestivo não são mais do que crateras onde se escondem os focos do entupimento humoral (toxemia do sangue e da linfa). O tubo intestinal, nestes casos é, não só um canal que recebe hiper-excreções, mas um valioso canal de purificação, como um esgoto coletor de imundícieis para eliminá-las.

O sangue e a linfa se encarregam de trazer-lhe estas substâncias toxêmicas. O intestino é uma via de eliminação direta (as fezes) e indireta (encontramos muitas vezes nas fezes, substâncias medicamentosas que fora injetadas nos músculos ou nas veias).

A eliminação direta das matérias fecais deve realizar-se duas e mesmo três vezes por dia. Contudo, verificamos que, correntemente, a defecação é realizada apenas uma vez diariamente, e existem casos bastante numerosos em que, as pessoas defecam duas ou três vezes por semana (colite crônica).

A maioria da população acredita que é normal comer-se diariamente um quilo de alimento (ou mais) e defecar menos de duzentas gramas por dia ou mesmo por semana. A dilatação do ventre é uma característica segura e precisa de que há colite. Esta é sem dúvidas a mãe de todas as doenças!

Desta forma milhões de pessoas carregam em seus corpos, durante anos, até a morte, um enorme bolo de fezes apodrecidas e que encharcam o sangue de toda espécie de venenos fermentativos.

A medicina medicamentosa dá pouca ou nenhuma evidência a este fato. Afinal, mais da metade dos ditos profissionais da saúde sofrem dos males da prisão de ventre e muitos fumam e usam bebidas alcoólicas! O próprio perfil corporal destes identifica-os entre os que não sabem como cuidar da saúde própria, em razão da escravidão a certos vícios.

Poucos observam que a raiz de toda esta problemática está na boca. Tudo o que já dissemos até aqui é de fundamental influência, mas, há um outro fator especialmente delicado: a necessidade de mastigação completa e calma deglutição.

Os regimes hipotóxicos que chegam aos nossos intestinos, são provocados por uma mastigação acelerada, por deglutirmos alimentos inteiros e não utilizarmos os dentes para a sua principal finalidade, que é a de mastigar. Nossas vísceras são preguiçosas, irritadiças e constipadas, porque somos preguiçosos no mastigar.

Sem paz de espírito ao sentarmos à mesa, engolimos os alimentos sem mastigá-los. Isto é um mal que certamente irá resultar no mínimo em dispepsia.

Por experiência pessoal tenho notado que a população brasileira dada à misturas do tipo: feijão seco, arroz de massa branca, macarrão, molhos, pimenta e carne de toda espécie, acrescida de uma “cachacinha” antes e um refrigerante ou cerveja depois, é grandemente afetada por todo tipo de pestilências de origem gastrintestinal. Não conheço nenhum meio de cura à não ser a reeducação alimentar para um estilo de vida mais saudável, onde este modelo alimentar doesto deve ser absolutamente erradicado para sempre.

Assim como é preciso assegurar no seu começo o êxito do processo digestivo, é preciso também cuidar de sua última fase, a expulsão dos resíduos se faça deforma conveniente e oportuna. O corpo de todos os animais descarrega, várias vezes por dia, os resíduos da digestão. Desgraçadamente, sobretudo nas cidades, são inumeráveis as pessoas que retêm no seu corpo imundícies provenientes de uma alimentação cadavérica e artificial. Este mal, endêmico entre as mulheres, é a principal causa das doenças em que intervêm o cirurgião com a extirpação de órgãos ou mutilações no baixo ventre.

Condição indispensável para manter a saúde é evacuar o ventre pelo menos todos os dias de manhã e antes de deitar. Para que esta função se efetue de forma completa é indispensável adotar a posição de cócoras, corrente no campo, a única natural e necessária para assegurar a livre e completa evacuação, pois nas bacias em uso com posição sentada, o intestino grosso não se mobiliza normalmente por falta de pressão dos músculos das coxas, retendo matérias fecais que envenenam o sangue.[11]

Precisamos salientar que o correto é saber que nossas vísceras precisam eliminar diariamente 70% do peso[12] do que normalmente comemos no dia a dia. Uma pessoa que ingere um quilo de comida por dia não pode ficar dois ou três dias sem eliminar nada de suas vísceras. Comentando sobre importância de manter os intestinos limpos o Dr. Soleil declara:

Irrigação do cólon – Essa lavagem requer muita água. É feita com aparelho próprio, de tubo duplo que permite a evacuação simultânea. Aplicada por um profissional experiente, essa irrigação é eficaz para limpar profundamente o cólon no qual estão retidos dejetos não evacuados (às vezes, há dezenas de anos). Sentir o intestino limpo proporciona uma extraordinária sensação de bem estar.[13]

Paz e bem!

Cordialmente,

Prof. Dr. Jean Alves Cabral

[1] Gênesis 1:28-29

[2] WHITE, Ellen Gould. Conselhos Sobre o Regime Alimentar. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP, 1997, p. 168.

[3] Agudo significa que o corpo irá provocar uma crise súbita e imediata à intoxicação, buscando eliminar as toxinas de uma só vez. Crônica significa que o corpo irá provocar uma crise periódica e lenta buscando a mesma reação de desintoxicação.

[4] WHITE, Ellen Gould. Conselhos Sobre o Regime Alimentar. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP, 1997, p. 48, 49.

[5] WERNER, David. Onde Não Há Médico. Editora Paulus, São Paulo, 1994, p. 138-156.

[6] BONTEMPO, Márcio. Relatório Órion. Editora L&PM, Porto Alegre, RS, 1986, p. 104, 105.

[7] Escritor, médico e filósofo da saúde alemão, membro da Organização Mundial da Saúde.

[8] A classificação aqui exposta foi preparada pelo Prof. Jean à partir de pesquisas pessoais e da prática clínica que exerce em seu consultório de Naturologia Clínica.

[9] WHITE, Ellen G. Conselhos Sobre o Regime Alimentar. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 2002, p. 107.

[10] WHITE, Ellen G. Conselhos Sobre o Regime Alimentar. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 2002, p. 420.

[11] ACHARÁN, Manuel Lezaeta. A Medicina Natural ao Alcance de Todos. Editora Hemus, SP, 1998, p. 133-134.

[12] Este número é estimativo e oscila entre 50% a 75%, dependendo do tipo de dieta que se possua.

[13] SOLEIL. Você sabe se desintoxicar? Editora Paulus. São Paulo. SP.

2 comments on “As Sete Leis da Dietética Naturista.

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