A Dignidade da Pessoa Humana!

A Dignidade da Pessoa Humana.

Para os existencialistas, a essência do ser humano é a sua existência; ou numa abordagem contemporânea:

Não existe natureza essencial do homem exceto num ponto: o de que ele pode fazer dele mesmo o que quiser. O homem cria o que ele é; nada lhe é dado para determinar sua criatividade. A essência do seu ser – o ‘dever ser’ e o ‘tem que ser’ – não é algo que ele encontre pronto, ele constrói. O homem é aquilo que ele faz de si mesmo.[1]

A Naturologia é uma filosofia que prioriza o cuidado da qualidade de vida do ser humano, partindo da concepção holística que possui deste ser, num harmonioso conjunto indivisível, mas classificado para conveniência de nossa tênue capacidade intelectual em dimensões ou potencialidades que se fundem e dão origem a um todo designado ‘pessoa’.

Para Roberto Crema, este holismo nasce com as pesquisas cuidadosas de filósofos e físicos quânticos que consolidam com John Lilly, uma série de pesquisas sobre a natureza da realidade e, apontam uma abordagem holística em três níveis de análise da realidade:

É dita ontológica a teoria relativa àquilo que eu sou; é dita gnosiológica a teoria relativa àquilo que eu sei; é dita epistemológica a teoria relativa a como eu sei.[2]

Esses três níveis do saber se interpretam e reciprocamente se determinam, consolidando a indissolúvel unidade existencial saber-ser. Este modelo está destruindo o paradigma newtoniano-cartesiano e dando à luz uma nova racionalidade que é holocentrada, isto é, uma cosmovisão holística.

A dignidade da pessoa humana está, pois, em processo de ampla revolução e a definição de sua identidade precisa ser reavaliada, concentrando as perspectivas acerca da ética e da melhor doutrina em torno da preservação da vida – acima das opiniões pessoais, e preservando a unidade do conceito de que ela deve ser preservada holisticamente.

A individualidade humana só pode ser tolerada até o ponto em que ela não se propõe atacar e destruir a vida das outras pessoas – é por uma determinação deste nível que a Humanidade se uniu para extirpar da Terra, doutrinas fascistas e nazistas!

Quando um naturologista pensa em um ser humano ele não pensa que trata-se de uma coisa que pode proporcionar-lhe dinheiro numa consulta ao seu Gabinete, mas pressupõe-se que este profissional sabe distinguir entre o ser-holístico que está diante de seus olhos e as necessidades de um mercado em colapso contra o sentido de ser.

Em nossa compreensão é preciso entender bem estas questões porque o sentido de ter (dinheiro como fruto de um trabalho), só se justifica se este trabalho for bem feito, o que implicará em um sentido superior de ser.

E porque não há opções fora deste senso de direção? Porque a própria definição holística do que é ser humano preconizada pelos Naturologistas impõe esta postura.

Um Naturologista não pode, por exemplo, ser encontrado bebendo uma cerveja em público (e muito menos fazê-lo em secreto), porque a sua existência é como uma luz a ser seguida. O seu discurso só se justifica diante de uma vida que seja prática e bem fundamentada em valores que ele deve repassar às pessoas como sendo uma verdade inexorável e indissolúvel para si mesmo.

E a maior de todas estas verdades é a de que as pessoas são seres com elevada dignidade e uma especialíssima septenaridade que não pode ser ofuscada por qualquer interesse que não seja a vida, a honra e a ética como instrumentalidade moral.

Em todo o tempo o Naturologista anda pelas ruas no meio de seres humanos e para ele elas são pessoas; e “ser pessoa” significa imediatamente ser uma personalidade e uma individualidade moral, com uma visão de mundo específica, com a possibilidade de distinguir-se de todos os outros, de preservar a interioridade de seu próprio ser e de possuir uma esfera íntima, em si mesmo, capaz de perceber a existência em seu físico, emocional, mental, espiritual que, são tão intimamente ligados que não podem ser entendidos ou percebidos de forma divisível, mas são todo o tempo uma unidade, isto é, uma pessoa.

Potencialidades tais como vontade livre e inteligência são manipuláveis pelos elementos diversos que influenciam a vida do indivíduo, mas mesmo assim, o indivíduo é pessoa, porque possui o poder de pensar em si mesmo, contestar o que lhe impuseram desde criança e seguir outro caminho que lhe pareça o ideal para uma íntima e delicada intuição que lhe força buscar da vida uma existência segura.

Diz Deepak Chopra:

Em vez de encarar seu corpo como um amontoado de células, tecidos e órgãos você pode usar uma perspectiva quântica e perceber o silencioso fluir da inteligência. É uma emissão constante de impulsos que criam, controlam e transformam seu corpo físico. O segredo da vida nesse nível é que qualquer coisa em seu corpo pode ser alterada com o lampejo da intenção.[3]

Esta abordagem da perspectiva quântica é explicitada pelo próprio Dr. Chopra:

A física nos informa que a estrutura básica da natureza se encontra no nível quântico, bem além dos átomos e das moléculas. Um quantum, a unidade básica da matéria ou energia, é 10 a 100 milhões de vezes menor que o átomo mais ínfimo. Nesse nível, a matéria e a energia são interligadas. Cada quantum é feito de vibrações invisíveis, fantasmas de energia à espera de assumir a forma física. (…) O corpo mecânico quântico é a base fundamental de tudo o que somos: pensamentos, emoções, proteínas, células, órgãos. Enfim, qualquer parte de nós, visível ou invisível. Seu corpo envia todo o tipo de sinais invisíveis no nível quântico, esperando que consiga captá-los. Você tem um pulso quântico além do físico e um coração quântico que o impulsiona.[4]

Esta nova abordagem traz para todas as ciências que lidam diretamente com a vida humana uma nova discussão e um novo debate.

Nós da Naturologia, sobretudo da Escola Brasileira que defende uma postura Clínica, não podemos dispensar de forma alguma esta perspectiva e nos lançamos nela com o afã de torná-la ampla, porque a questão da dignidade da pessoa humana é a raiz primária de qualquer discussão sobre saúde, vida e prática de Terapias Naturais.

Se qualquer Curso de Terapias Naturais não deixa bem delineada esta doutrina, simplesmente é um Curso desfocado do verdadeiro significado de ser do Naturólogo.

As diretrizes da avaliação acerca desta doutrina da dignidade da pessoa humana, foi e é, objeto direto de nossa atenção, temos feito questão de pontuar, na exposição oficial de nosso Gabinete em relação ao que denominamos “A Doutrina da Finalidade Moral da Vida Humana”.

Todos nós que atuamos na área da saúde e mesmo a população em geral, precisamos analisar sistematicamente os problemas morais suscitados pelos progressos científicos nos domínios da biologia, da medicina e da saúde em geral, porque a Humanidade comemora 62 anos da Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana – e não podemos aceitar, de forma alguma, qualquer coisa que possa atentar contra tal dignidade essencial à sobrevivência da nossa espécie.

Nosso Gabinete, com frequência se debruça sobre as mais relevantes questões que ensejam componentes filosóficos, biológicos, psicológicos e suas implicações éticas.

Uma destas questões, por exemplo, é a que envolve a prática do aborto. No Brasil, atualmente, certas ameaças deste nível se impõem como inimigos a serem derrotados no Congresso Nacional e nas consciências das pessoas que são assediadas por tal proposta.

Em nosso trabalho, temos a mais absoluta certeza de que devemos evitar o crescimento populacional desenfreado, porque ele tem gerado uma condição de miséria pela superpopulação que faz qualquer um com a mínima visão do futuro estremecer.

Onde teremos alimento para 9 bilhões de pessoas em 2050?

Mas, daí a defendermos uma postura favorável ao aborto há um abismo que só pode ser compreendido na relação de distância que há entre o Reino de Deus e o Reino do Diabo.

Outras questões que poderiam ser elencadas são: manipulação de células-tronco embrionárias, medo de ter filhos, crise da família, baixo investimento em saúde pública, fome, narcotráfico, alcoolismo, tabagismo, enfim, uma enorme lista de pontos poderiam ser objeto de nossa discussão e de fato serão sempre objeto de nossa participação em muitos cenários, mas, nenhuma delas tem qualquer significado sem o tema mais elementar de todos: a finalidade moral da vida humana, a dignidade da vida humana.

Ninguém poderá negar que o direito humano fundamental, o pressuposto básico de todos os direitos, é o direito à própria vida. Isto deve valer desde a concepção até a morte natural. Ora, se este princípio é de fato “um princípio”, então, temas tais quais o aborto não é um direito humano!

A guisa de lembrança, os Naturologistas Clínicos de nossa Escola não escondem sua devoção ao Deus Criador do Céu e da Terra e, não entendem ser esta confissão um entrave na gestão científica de sua militância profissional. Isto deve ser enfatizado, porque os defensores de doutrinas anti-vida, tais como a frente pró-aborto argumenta que o Estado de Direito Brasileiro é “laico” e que trazer para a pauta os elementos religiosos seria um atentado à justa ordenação jurídica e ferir um princípio constitucional.

Discordamos peremptoriamente deste argumento falacioso, porque se observarmos cuidadosamente a Constituição Federal, em seu preâmbulo, vamos ver escrito ali exatamente o seguinte:

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil. (Preâmbulo da Constituição Federal).

A “presença de Deus” no ideal humano manifesto na nossa Constituição Federal decorre da experiência da imensa maioria Parlamentar Brasileira com o Deus cristão que “não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34), mas “amou o Mundo de tal maneira que deu Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nEle crê não pereça mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

O laicismo jurídico brasileiro encontra um ponto onde há uma sinalização poderosa dizendo “PARE”:

(CF, Artigo 5º) Todos são iguais perante a Lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

A laicidade dos sistemas de governo deve ser fortemente defendida e nós a defenderemos com nossa vida se preciso for, desde que ela não seja usada para destruir o que a própria Constituição Federal propõe defender: a vida humana em sua máxima dignidade existencial!

Perder este foco é perder todo o foco que há!

Antes de ser laico, o Estado Brasileiro é democrático de direito, o que significa que, a ideia do aborto e as manifestações a seu favor devem ser aceitas no campo dos debates, mas igualmente os cristãos que se opõem ao mesmo e que são esmagadora maioria, graças a Deus, devem ser respeitados em igualdade de condições e influenciar pelo voto no Congresso a este argumento que, embora tolerado por força da liberdade, é imoral no princípio anti-vida.

Isto é um dos pontos que devem ser bem estabelecidos!

A dignidade da pessoa humana não pode ser edificada com o assassinato de milhões de crianças que já estão vivas com todo seu potencial holístico no ventre da mãe. Defender que o Estado tem o poder de limitar o nascimento por meio do aborto denota uma consciência sem senso humanitário mínimo – para nós é algo comparável ao flagelo nazista!

Entendemos que há outros caminhos para se evitar o nascimento de seres humanos que não podem ser desprezados e nem criticados com inteligência, enquanto não existe criança nenhuma fecundada no ventre da mulher. Mas, uma vez que haja um bebê na mulher, então já é um santuário do Senhor em desenvolvimento e, deste ponto em diante, bendita é a mulher que tiver este dom!

O Estado que mata crianças através da lei do aborto não é democrático porque está dizendo por este ato que possui, de alguma forma não natural e anti-espiritual, o direito de matar certos grupos de pessoas, para satisfazer ao egotismo de alguns egocêntricos.

O dinheiro público existe para celebrar a vida e não a morte!

Esta questão da dignidade da vida humana é tema amplo e complexo, mas podemos transitar nele com serena calma e certeza do bem divino, porque conhecendo o princípio da própria dignidade da vida em si, já sabemos que, qualquer pensamento, ideia, projeto, teoria ou atitude que conspire contra a vida, diminua a vida, deve ser rejeitado e combatido firmemente.

Se alguém destruir o Santuário de Deus, Deus o destruirá, porque sagrado é o Santuário de Deus que sois vós (1ª Coríntios 3:17).

______________________________________

Prof. Dr. Jean Alves Cabral

[1] GONÇALVES, Ernesto Lima. Moral Médica. Editora Sarvier, São Paulo, 1984, p.3.

[2] CREMA, Roberto. Introdução à Visão Holística. Summus Editorial, São Paulo, 1988, p. 77.

[3] CHOPRA, Deepak. Saúde Perfeita. Editora Best Seller, São Paulo, 2004, p. 17.

[4] CHOPRA, Deepak. Saúde Perfeita. Editora Best Seller, São Paulo, 2004, p. 14.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *